Estrada Real
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• As Estradas Reais
Hoje se fala muito em Estrada Real. Graças ao projeto empreendido pela FIEMG e pelo Governo do Estado de Minas, foi criado o Instituto Estrada Real, que tem entre seus objetivos divulgar turisticamente essas maravilhosas vias antigas, além de mapeá-las e estudá-las. Mas, o que seriam essas estradas?
Firmando-se desde muito cedo na história como sede da capitania das Minas Gerais, nada mais lógico que, literalmente, todas as estradas oficiais mineiras convergissem para Vila Rica, atual Ouro Preto. Estradas oficiais, construídas a mando ou sob a concessão da Coroa Portuguesa, eram chamadas de Estradas Reais (ou seja, “do rei”). Existiam centenas de quilômetros de outros caminhos secundários nas Minas, mas as grandes vias de acesso, passagem e escoamento da produção mineral foram as Estradas Reais.
O caminho trilhado pelos primeiros bandeirantes paulistas foi aberto em fins do século XVII e esteve intrinsecamente ligado à descoberta das primeiras jazidas. Para facilitar o acesso às minas de ouro, que se descobriam em grande quantidade, o governo autorizou posteriormente a construção de um outro caminho, mais curto e melhor desenhado, a que chamaram de “Caminho Novo” em contraposição ao outro, dos bandeirantes, chamado já de “Caminho Velho”. Ambos os caminhos ligavam a região mineradora às cidades litorâneas, como Parati e Rio de Janeiro (que a partir de 1763 tornou-se a capital da colônia). Os dois caminhos convergiam num lugar chamado “Chiqueiro dos Alemães”, entre os atuais municípios de Ouro Preto e Ouro Branco. A partir deste ponto, a estrada se transformava num emaranhado de outras vias, multiplicando-se o acesso à capital. De Ouro Preto até Diamantina podia-se seguir por dois caminhos: o caminho pela Serra do Caraça (ou do Mato Dentro) ou o caminho de Sabará.
No começo da década de 1780 o governador D.Rodrigo José de Menezes, grande estadista colonial, mandou melhorar o estado de todas estas estradas e construir pelo menos mais três, todas obras louváveis de engenharia da época, dotadas de pontes, muros de arrimo, chafarizes e obras de arte. Dentre estas, cumpre destacar a "Estrada da Cachoeira", obra imponente que ligava o Palácio de Veraneio de Cachoeira do Campo ao de Ouro Preto. Dotada de longos muros de pedra, uma ponte de três arcos e um belo chafariz ainda em funcionamento, esta é a mais bela e conservada estrada de Minas colonial.
Em Cachoeira do Campo ficava o famoso Palácio de Campo dos Governadores (reformado e ampliado pelo mesmo D.Rodrigo - atual Colégio das Irmãs) e o Quartel General da Cavalaria das Minas (atual Centro Dom Bosco), monumentos que ficaram célebres durante a Inconfidência Mineira. Nada mais justo e óbvio que esta estrada fosse a mais bem conservada de Minas (pois ligava os dois palácios). Ainda hoje ela pode ser visitada e sua ponte (chamada ‘do Palácio’, já engolida pela área urbana de Cachoeira) ainda é utilizada e trafegada.
Venha fazer essa viagem no tempo! A Campos de Minas te mostrará essas e outras maravilhas escondidas de Minas Gerais. Veja nossos roteiros.